Uma coisa que deve ficar clara é que o marxismo não é uma teoria acadêmica, mas é uma posição política prática. O marxismo já teria morrido se ficasse nas salas de aulas ou em auditórios. Aqui quero, pois, chamar a atenção para a 11 ª tese sobre Feuerbach, que Marx escreveu. E ao analisarmos essa tese vamos fazer dois caminhos: um da proposta inicial de Marx e outra indo ao contrário, voltando.
Escreve Marx
Os filósofos apenas interpretaram o mundo diferentemente, importa é transformá-lo (Ad Feuerbach)
O que isso significa? Primeiro que não adianta ficarmos analisando e lamuriando os nossos problemas. Coité passa por momentos complicados e que cada vez mais se aprofunda. Falam do “gigante” prefeito, mas esquecem de falar que ele foi o “prefeito das tragédias”, o prefeito que estava quando o coreto na praça municipal caiu e matou uma senhora, o prefeito que estava quando um jovem foi morto eletrocutado numa quadra abandonada, o prefeito que colocou a cidade no Jornal Nacional nunca vergonhosa matéria sobre o descaso da saúde. Mas de nada adianta falarmos dessas coisas, interpretar os atos deles, se não agirmos. Importa, como diz Marx, é transformar as coisas.
Lênin escreveu um belíssimo texto chamado “A crise amadureceu” (Setembro de 1917) e nesse texto ele vai falando sobre os problemas em que a burguesia estava se metendo e como o campo estava perfeito para começar a revolução, e ele reclama dos camaradas que queriam “esperar pelo momento oportuno”; mas, para Lênin, o momento oportuno era naquele momento e ele finaliza o texto dizendo
Estou profundamente convencido de que, se “esperarmos” [...] e deixarmos passar agora o momento, arruinaremos a revolução.
Eis que devemos escutar o conselho de Jesus Cristo
Eis que eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa. (João 4:35)
É preciso arregaçar as mangas, partir pra luta e colher a vitória. O tempo é nosso! István Mészáros escreve
A atual “crise do marxismo” se deve principalmente ao fato de que muitos dos seus representantes continuam a adotar uma postura defensiva, numa época em que, tendo acabando de virar uma página histórica importante, deveríamos nos engajar numa ofensiva socialista em sintonia com as condições objetivas. (Para além do capital, p. 789).
Então por um lado devemos trabalhar, e trabalhar duro. Por outro lado... Perguntaram ao filósofo Slavoj Zizek qual o conselho que ele dava aos jovens revolucionários, ele responde:
Leiam a 11ª Tese sobre Feuerbach, aquela que diz que os filósofos se limitaram a interpretar o mundo, quando devemos transformá-lo. Mas leia ao contrário. Devemos parar de querer mudar o mundo às cegas, para interpretá-lo, saber o que ele é.
Numa das passagens mais reveladoras da Bíblia, o texto sagrado diz que
Meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. (Oséias 4:6)
De fato, uma das minhas grandes preocupações é com a formação teórica da juventude. Conhecer o mundo, interpretar a vida, encontrar o diabo nas entrelinhas... Eis um desafio grandioso. Para mudar algo é preciso saber o que queremos mudar e, principalmente, o que vamos colocar no lugar que ficou vazio.
Precisamos saber o que queremos e porque queremos. Mas uma vez citando a bíblia
Estejam sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós (1 Pedro 3:15)
Precisamos tomar cuidado para não cairmos no extremo da prática e nem no deserto da reflexão. O que se espera de nós é que lutemos, e vamos lutar, pois sabemos o que queremos e o que, após derrubar a estrutura montada, vamos colocar no lugar. E não tenham medo de se expor. Não fiquem em cima de muro. Assuma lados e parta para a briga. Não sejam covardes. Lembrem-se sempre do que disse o filósofo italiano Antonio Gramsci
Odeio os indiferentes. Acredito que viver significa tomar partido. Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes. [...] A indiferença é o peso morto da história. [...]Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes.
Ou como disse o poeta alemão Goethe “prometo ser sincero, mas nunca imparcial”.
E para finalizar, quero deixar duas frases: A primeira do nosso companheiro Paulo Freire
A realidade não é esta. Está sendo esta como poderia ser outra; e é por essa outra que eu luto.
E uma dos István Mészáros
Vivemos numa época de crise histórica sem precedentes que afeta todas as formas do sistema do capital, e não apenas o capitalismo. Portanto, é compreensível que somente uma alternativa socialista radical ao modo de controle metabólico social tenha condições de oferecer uma solução viável para as contradições que surgem à nossa frente.
Companheiros e companheiras: vamos em frente, e que Deus tenha misericórdia de nós.